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Copywork em português

Copiar palavra por palavra um escritor que você admira é uma das formas mais antigas de aprender a escrever. Aqui você faz isso com crônicas e ensaios clássicos em português: digita no navegador e vê cada erro na hora.

O que é copywork

Copywork é copiar um texto exatamente, sem resumir nem mudar nada. O que importa não é a cópia, e sim a atenção que ela exige: para reproduzir uma frase, você precisa guardá-la inteira na cabeça, e assim começa a ver como ela foi construída. O tamanho, onde o autor coloca a palavra importante, como um parágrafo passa para o seguinte.

É um exercício antigo. Benjamin Franklin conta na autobiografia que aprendeu a escrever reescrevendo os ensaios do The Spectator e depois comparando a sua versão com o original. Se você lê em inglês, o guia completo está em What is copywork?.

Como praticar

  1. Comece por um texto curto. A lista abaixo vai do mais curto ao mais longo.
  2. Leia cada frase antes de digitá-la. Tente guardá-la inteira e depois digitá-la de memória.
  3. Respeite o original. Com acentos, cedilhas e pontuação. Alguns textos mantêm a ortografia da época, como «cousas» e «creanças» em Eça de Queirós: isso também faz parte do estilo.
  4. No final, anote o que você percebeu. Duas ou três coisas bastam: o tamanho das frases, como os parágrafos começam, as palavras que se repetem.

Textos em português

6 textos

Todos estão em domínio público: você pode ler e digitar os textos completos sem criar uma conta. Com uma conta, guardamos o seu progresso e os seus resultados (palavras por minuto e precisão).

  • A biblioteca

    de Lima Barreto

    A diretoria da Biblioteca Nacional tem o cuidado de publicar mensalmente a estatística dos leitores que a procuram, das classes de obras que eles consultam e da língua em que as mesmas estão escritas. Pouco freqüento a Biblioteca Nacional, sobretudo depois que se mudou para a Avenida e ocupou um palácio americano. A minha alma é de bandido tímido, quando vejo desses monumentos, olho-os, talvez, um pouco, como um burro; mas, por cima de tudo, como uma pessoa que se estarrece de admiração diante de suntuosidades desnecessárias.

    Intermediário · Curto

    Cerca de 14 min de digitação

  • Vae soli!

    de Machado de Assis

    Um dia desta semana, farto de vendavais, naufrágios, boatos, mentiras, polêmicas, farto de ver como se descompõem os homens, acionistas e diretores, importadores e industriais, farto de mim, de ti, de todos, de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação, peguei de uma página de anúncios, e disse comigo: "Eia, passemos em revista as procuras e ofertas, caixeiros desempregados, pianos, magnésias, sabonetes, oficiais de barbeiro, casas para alugar, amas-de-leite, cobradores, coqueluche, hipotecas, professores, tosses crônicas..." E o meu espírito, estendendo e juntando as mãos e os braços, como fazem os nadadores, que caem do alto, mergulhou por uma coluna abaixo. Quando voltou à tona, trazia entre os dedos esta pérola:

    Iniciante · Curto

    Cerca de 21 min de digitação

  • A reforma pelo jornal

    de Machado de Assis

    Houve uma coisa que fez tremer as aristocracias, mais do que os movimentos populares; foi o jornal. Devia ser curioso vê-las quando um século despertou ao clarão deste fiat humano; era a cúpula de seu edifício que se desmoronava. Com o jornal eram incompatíveis esses parasitas da humanidade, essas fofas individualidades de pergaminho alçado e leitos de brasões. O jornal que tende à unidade humana, ao abraço comum, não era um inimigo vulgar, era uma barreira... de papel, não, mas de inteligências, de aspirações.

    Intermediário · Curto

    Cerca de 25 min de digitação

  • Crônica dos burros

    de Machado de Assis

    Não tendo assistido a inauguração dos bonds elétricos, deixei de falar neles. Nem sequer entrei em algum, mais tarde, para receber as impressões da nova tração e contá-las. Daí o meu silêncio da outra semana. Anteontem, porém, indo pela Praia da Lapa, em um bond comum, encontrei um dos elétricos, que descia. Era o primeiro que estes meus olhos viam andar. Para não mentir, direi o que me impressionou, antes da eletricidade, foi o gesto do cocheiro. Os olhos do homem passavam por cima da gente que ia no meu bond, com um grande ar de superioridade. Posto não fosse feio, não eram as prendas físicas que lhe davam aquele aspecto. Sentia-se nele a convicção de que inventara, não só o bond elétrico, mas a própria eletricidade. Não é meu ofício censurar essas meias glórias, ou glórias de empréstimo, como lhe queiram chamar espíritos vadios. As glórias de empréstimo, se não valem tanto como as de plena propriedade, merecem sempre algumas mostras de simpatia. Para que arrancar um homem a essa agradável sensação? Que tenho para lhe dar em troca?

    Iniciante · Curto

    Cerca de 33 min de digitação

  • Cartas de Inglaterra, V

    de Eça de Queirós

    Uma das cousas encantadoras que nos traz o Natal, são esses lindos livros para creanças, que constituem a litteratura de Natal. Não falo desses extraordinarios volumes dourados publicados pelos editores francezes, em encadernações decorativas como fachadas de cathedraes, que custam uma fortuna; contém um texto que nunca ninguem lê e são offerecidos ás creanças, mas realmente servem para obsequiar os papás. Os pobres pequenos nada gosam com esses monumentos typographicos; apenas se lhes permite vêr de longe as gravuras a aço, sob a fiscalização da mamã, que tem medo que se deteriore a encadernação; e o resplandecente volume orna d'ahi por deante a jardineira da sala, ao lado do candieiro vistoso.

    Intermediário · Curto

    Cerca de 39 min de digitação

  • Os mercadores de livros e a leitura das ruas

    de João do Rio

    Exatamente na esquina do teatro S. Pedro, há dez anos, Arcanjo, italiano, analfabeto, vende jornais e livros. É gordo, desconfiado e pançudo. Ao parar outro dia ali, tive curiosidade de ver os volumes dessa biblioteca popular. Havia algumas patriotadas, a Questão da Bandeira, o Holocausto, a d. Carmen de B. Lopes, a Vida do Mercador e de Antônio de Pádua, o Evangelho de um Triste e os Desafogos Líricos. Estavam em exposição, cheios de pó, com as capas entortadas pelo sol.

    Intermediário · Médio

    Cerca de 47 min de digitação

Como digitar acentos e ç

  • Teclado ABNT2: aperte o acento e depois a vogal; o ç tem tecla própria.
  • Mac com teclado americano: Option + E e a vogal para á é í ó ú; Option + I e a vogal para â ê ô; Option + N e a vogal para ã õ; Option + ` e a vogal para à; Option + C para ç.
  • Windows com o layout Estados Unidos-Internacional: ' e a vogal para á; ^ e a vogal para â; ~ e a vogal para ã; ` e a vogal para à; ' e c para ç.
  • Travessão (—): Option + Shift + hífen no Mac; Alt + 0151 no teclado numérico no Windows.
  • No celular: mantenha uma letra pressionada para ver as variantes.

Mais para praticar

Há outros ensaios, em inglês, na biblioteca do Copywork. Também temos textos em espanhol.